sexta-feira, 4 de maio de 2018

URGENTE! Prefeitura de Curitiba denuncia na justiça descumprimento de acordo no interdito proibitório da Praça Olga Benário

Foto da noite do dia 07-04 na região da superintendência 
da PF em Curitiba. Enviada por manifestante.

Prefeitura denuncia descumprimento do acordo e pede imediata cobrança de multa e medidas repressivas!


Em petição protocolada hoje, às 17h44, nos autos da ação de interdito proibitório, movida pelo Município de Curitiba contra as entidades que organizam as atividades na Praça Olga Benário, a Procuradoria Geral do Munícipio de Curitiba informou ao juízo da 3ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba que o acordo realizado no processo esta sendo descumprido.

Para entender o caso, é preciso relembrar que o Prefeito Rafael Greca, na noite em que Lula chegava a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, conseguiu, em cerca de duas horas, uma liminar de interdito proibitório com expedição de mandado e designação de oficial de justiça para cumprimento imediato, proibindo o transito dos réus nas proximidades da Superintendência da Polícia Federal e a montagem de “estruturas e acampamentos nas ruas e praças da cidade, sem prévia autorização municipal e nos termos da legislação vigente”.

Na mesma decisão liminar, deferida no plantão, ficou “autorizado o cumprimento do mandado por mais de um Oficial de Justiça, bem como o auxílio de força policial”, determinando-se que se certificassem “o Comando da Polícia Militar e a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Paraná”.

É bom lembrar, também, que no momento em que o oficial de justiça estava no local, naquela noite, para cumprir intimações contra “Movimentos e Indivíduos Indeterminados”, apoiadores de Lula, que recém haviam celebrado um culto ecumênico, sofreram ataques com gás lacrimogênio e balas de borracha, o que deixou muitas pessoas feridas e será objeto de inquérito junto ao 4º Distrito Policial de Curitiba.

Naquela noite, o CAAD (Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia), que estava de plantão em estrutura montada com apoio de advogadas e advogados militantes e voluntários de todo o país, pediu ajuda da OAB/PR e foi lavrado um Boletim de Ocorrência coletivo, junto aquele distrito policial.

Além disso, na manhã do domingo (8-4) 15 advogados do CAAD impetraram um Habeas Corpus coletivo, para atacar a decisão liminar como deferida, uma vez que causou violência policial sobre pessoas que se reuniam pacificamente.

O Habeas Corpus sob nº 0012590-61.2018.8.16.0000, tramita perante a 17ª Câmara Cível do TJPR, sob a relatoria do desembargador Fernando Paulino da Silva Wolff Filho e o Município de Curitiba foi intimado hoje (4-5) para prestar informações, no prazo de 10 dias, na condição de autoridade coatora.

Enquanto isso, o Interdito Proibitório ajuizado pela Prefeitura de Curitiba, fora distribuído para a 3ª Vara da Fazenda Pública, aonde o juiz substituto Jailton Juan Carlos Tontini, fixou multa de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais!)por dia e réu” que descumpra a liminar, “sem prejuízo de outras sanções cíveis e criminais cabíveis”.

O mesmo juiz já mandou incluir como réus, de acordo com a lista do oficial de justiça que foi ao local na noite dia dia 07-04:

a) A Central Única dos Trabalhadores – CUT.
b) O Partido dos Trabalhadores – PT/PR.
c) O Movimento Curitiba Contra Corrupção.
d) O Movimento Brasil Livre – MBL.
e)  O Movimento UFPR Livre.

Além disso, um casal de militantes que passava nas imediações da Superintendência da Polícia Federal, foi parado e identificado pela polícia militar. Mais a frente, o casal foi abordado por oficial de justiça, com uma intimação da decisão de interdito proibitório, e passou a constar na ação, também, como réus, pessoas físicas.

Nesse meio tempo, os Movimentos Sociais e o Partido dos Trabalhadores, em negociação com as autoridades, retiraram o acampamento que se formara no local, transferindo-o para um terreno privado, a cerca de dois quilômetros dali, mantendo somente uma vigília nas imediações da polícia federal, onde diariamente são realizadas atividades pacíficas de apoio a Lula, como o “Bom Dia” e o “Boa Noite Lula”, além de ricas conversas culturais e políticas.

Como parte do acordo, as autoridades respeitariam as atividades mantidas na região da sede da superintendência da PF.

Foi o próprio Procurador do Município de Curitiba quem juntou o Termo do Acordo no processo e a CUT/PR requereu a extinção da ação pela perda do objeto.

A promotora Aline Bilek Bahr deu parecer no sentido de que deveria ser verificado, no local, se o acordo estava sendo cumprido e, estranhamente, juntou um abaixo-assinado de alguns moradores da região se queixando da movimentação ali.

Num breve levantamento, é possível perceber que o abaixo-assinado não é representativo e que várias pessoas da mesma família assinam o documento, para tentar dar volume, ao que parece.

Na manhã desta sexta-feira (04-05), o delegado da PF Gastão Shaffer Neto, invadiu a atividade do “Bom Dia Lula” e quebrou equipamentos de som da Vigília na Praça Olga Benário, mas não foi levado pela PM para lavratura do flagrante e, sim, para as instalações da PF, onde ficou, protegido.

O argumento do delegado era “o barulho”.

Agora a tarde, às 17h44, como que para afiançar a postura do delegado, o Município de Curitiba informou o descumprimento do acordo por parte da Vigília.

O argumento da Prefeitura? Igualmente é “o barulho”.

Disse a Procuradoria:


Conforme termo de acordo juntado no mov. 49.2, no item 3 constou que: “acordam as partes que a utilização de equipamentos de som deverá ocorrer até as 19:30 horas, desde que obedecidos os limites estabelecidos pela Lei 10.625/2002 que dispõe sobre ruídos urbanos e proteção do bem estar e sossego público”. Após várias denuncias formuladas via Central 156 (documentos anexos), a Secretaria Municipal do Meio Ambiente realizou vistorias no local e concluiu que “Os imóveis encontram-se em ZR 4 onde a Lei Municipal 10625/2002 determina um Nível de Pressão Sonora para o período Diurno de 65db(A), Vespertino 60db(a) e Noturno de 55db(A), estando portanto acima dos níveis determinados na Legislação para os Pontos 1 a 6” (destacamos). Há registros, em determinados pontos, que os ruídos chegam a 88,4 e 88,8 db(A).

Além disso, denunciou, também, como quebra de acordo:


Ainda, no item 4 do acordo constou que “no local, permanecerão tão somente 4 tendas para assegurar a estrutura necessária à liberdade de manifestação, inclusive com vigília no interior das tendas, nos locais já definidos, ficando estabelecido e expressamente acordado que não haverá acampamento – com pernoite – nas imediações da Superintendência da Polícia Federal”. A Secretaria Municipal de Defesa Social, por seu turno, atesta que: “... o movimento conta, durante o período diurno, com seis barracas, sendo três tendas grandes e outras três pequenas, compostas à esquina das Ruas Guilherme Matter com a Dr. Barreto Coutinho, pertencentes ao Partido dos Trabalhadores”.


Ao final, o Município de Curitiba informou que “entende que o acordo não foi cumprido” e pediu a continuidade do feito com a “cobrança da multa na sua integralidade”.

Pediu, ainda, a adoção de todas as “medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária” (art. 139, IV do Código de Processo Civil).

Junto com a petição, o Município de Curitiba juntou dois relatórios, um da Secretaria Municipal doMeio Ambiente e outro da Secretaria Municipal de Segurança.

Não é de se estranhar, se breve sair nova decisão apressada, autorizando repressão à Vigília na Praça Olga Benário. Afinal, quem faz acordo com a burguesia golpista, já deve estar acostumado com o fato de que tais conciliações não rendem bons frutos para as Classes Trabalhadoras.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Força-tarefa da lava jato e AJUFE se unem para hostilizar Wadih Damous.



O Deputado Federal Wadih Damous foi proibido, pela juíza da 12ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelo cumprimento provisório da pena de Luiz Inácio Lula da Silva, de se manter como procurador de Lula nos autos da execução penal.
Isso porque a juíza, que seguiu o parecer do MPF, disse que a atividade legislativa não é compatível com o exercício da advocacia e mandou desentranhar dos autos a procuração juntada por Damous.

A OAB PR, através de seu procurador Andrei Salmazo Poubel, ingressou como assistente nos autos, pedindo a reconsideração da decisão, contrapondo-se à posição da juíza, apontando a inexistência de qualquer óbice ao exercício profissional pelo advogado requerente (Damous) e afirmando que cabe à OAB o controle da atividade profissional da advocacia (e não a juíza!).

Em transmissão ao vivo em sua página no faceboock, ao lado dos deputados Paulo Pimenta e Pepe Vargas, Damous denunciou a proibição da juíza de que Lula tenha acesso a médicos, como solicitado por sua defesa, e apontando seu “autoritarismo e despreparo jurídico” ao impedi-lo de exercer a profissão (acesse aqui o vídeo).

A Associação dos Juízes Federais imediatamente saiu em defesa da Juíza Carolina Lebbos, como se Damous a tivesse ofendido. 

Em nota pública, a AJUFE repudiou o que chamou de “os ataques proferidos pelo suplente de deputado federal, Wadih Damous, à juíza federal Carolina Moura Lebbos”, apelando para o fato dela ser mulher e julgando que Damous quis “impedir a atuação firme da Justiça Federal e do Ministério Público no enfrentamento da corrupção”.

O Ministério Público Federal saiu em auxílio à AJUFE, e, igualmente, divulgou nota pública condenando a manifestação de Damous e dizendo que “suas palavras mostram destempero e completa falta de compromisso com a verdade, preferindo denegrir pessoas e instituições”. O uso do verbo denegrir pela força-tarefa da lavo jato já dá uma ideia do nível de (falta de) politização da equipe acusatória.

Em vídeo, Damous comentou os aspectos legais que envolvem a proibição que lhe foi imposta pela juíza Carolina Lebbos. Confira:



Professor Dr. Luiz Moreira avalia nota de Dilma Rousseff sobre a delação de Palocci

Nas palavras do ex-conselheiro do Ministério Público:

A partir da nota de Dilma é de se considerar que a lei de delação (12.850, de 2013) não conta com sua simpatia.
Entretanto, referida lei foi por Dilma promulgada.
Sobre a lei da delação:
É possível identificar seus padrinhos no governo Dilma: Beto Vasconcelos e Zé Eduardo.
Minha pergunta é a seguinte:
O que levou um governo, composto por pessoas que sofreram torturas, a apostarem num punitivismo tal?
Será que supuseram que o aparelho da repressão tinha se tornado (como num passe de mágica) doce?
Minha hipótese é a seguinte:
Um certo sentimento de repulsa às injustiças leva parte da esquerda a considerar a cadeia como remédio.
Trata-se de resposta intuitiva, portanto.
Mas e quanto às áreas jurídicas do Governo e das bancadas?
Bem, quanto a essas não posso ser complacente: ou não compreenderam o alcance dessas medidas e são incompetentes ou estavam apostando que tais medidas lhes trariam dividendos quando deixassem essas posições.
Pois essas medidas legislativas (delações, orcrim etc.) criaram nichos de atuação muito bem remunerados...


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Patos pedem retorno do voto impresso em Curitiba

Pra vocês terem uma ideia do atraso, cerca de 15 pessoas protestam agora na frente do TRE em Curitiba pelo retorno do voto impresso.

Deve ser aquele mesmo pessoal que foi desalojado da frente da Justiça Federal, onde armaram a barraca e vendiam camisetas em homenagem a Sergio Moro. A tralha é a mesma: equipamento de som, bandeiras nacionais, camisinhas da CBF e um bando de pato amarelo.

Procurando bem, até cabos de panela vai dar pra encontrar por ali, enfiados em algum lugar...


O alerta dado pelos patos amarelos é de que o PT hackeia as urnas eletrônicos, e por isso é preciso voltar ao tempo dos votos de papel.


Incrível o medo do PT que tem essa gente, não?




Com informações e imagens de Gustavo Conti.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Sr. Desembargador, por que a surpresa?

Em decisão exarada na tarde dessa sexta-feira (26), o desembargador João Pedro Gebran Neto se mostrou surpreso com as três petições, que quatro inexperientes advogados atravessaram no processo do triplex, pedindo que Lula tivesse seu passaporte recolhido, sob risco de viajar para a Etiópia e não voltar. 


Os garotos, dando prova de seu mais absoluto desconhecimento em relação à legitimidade constitucional para realizar esse tipo de pedido, se auto intitulavam “representantes da sociedade brasileira” e fundamentavam seu pedido na ausência de tratado de extradição entre os dois países, afirmando que Lula pediria asilo político, demonstrando, também, o mais absoluto desconhecimento a respeito da coragem de Lula.

Noutro trecho diziam temer que a manutenção do discurso de golpe armado pelo judiciário com a ajuda de setores da mídia como a Rede Globo, bem como o se igualar a Nelson Mandela e Tiradentes, demonstravam a intenção de Lula e de seu partido de incitarem a população e seus militantes à luta armada, de serem vítimas e de procurarem com isso o apoio internacional esquerdista.

Dois dos peticionários são sócios num escritório de advocacia em Maringá e atendem a rede de supermercados Super Muffato e a Nowax Petróleo do Brasil Ltda. Os outros dois são de Curitiba e São Paulo.

Em sua decisão Gebran relata que os advogados Carlos Alexandre Klomfahs (OAB/SP 346.140), Rafael Costa Monteiro (OAB/PR 26.765), Diego Gonçalves Londero (OAB/PR) e Tuareg Nakamura Muniz (OAB/PR 61.856), não cadastrados no processo e sem representação de qualquer das partes, juntaram pedido para que o réu LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA seja impedido de ausentar-se do país e para que entregue o seu passaporte, argumentando que há risco de fuga e de aplicação da lei penal”.

Na parte dispositiva de sua decisão, o julgador concluiu que “a pretensão é despropositada, haja vista que os legitimados para requerer medidas da espécie estão expressamente indicados no art. 311 do Código de Processo Penal” e que, “nem mesmo sob a ótica do inusitado pedido para estabelecimento de ofício da restrição, ou mesmo da invocada representação em nome da sociedade brasileira”, não havia como dar trânsito ao pedido.

Não conhecendo dos pedidos, determinou o “imediato desentranhamento” das três petições dos autos do processo eletrônico.

Mas, vamos falar francamente, com o devido respeito, me dirijo diretamente a Vossa Excelência para anotar que há outras coisas bem mais estranhas que devem ser desentranhadas dos autos antes, Senhor Desembargador!

As petições dos quatro advogados aventureiros não nos causam espanto algum. O que nos espanta é a sua surpresa, isso sim nos deixa em estado de absoluta perplexidade!

Há tempos que a jurisprudência criada nos porões da 13ª vara federal criminal de Curitiba, e confirmada pelos senhores na última quarta-feira (24) em Porto Alegre, autoriza caveiras de burro processuais.

Vossa Excelência ainda não havia se dado conta disso?

Qual o impedimento para malucos não cadastrados no processo e sem representação de qualquer das partes atuarem num processo onde todo tipo de sujeira já foi, e continua sendo, praticada?

Qual a sua surpresa diante de um pedido de gente doida, que se pretende representante da sociedade brasileira, ser atravessado num processo todo enlameado e fedorento?

Acaso o Senhor não se deu conta de que, muito antes dos quatro meninos aloprados cometerem irregularidades processuais, um juiz de primeiro grau já mandara interceptar e vazar conversas telefônicas da Presidenta da República deste País? De que determinara conduções coercitivas a testemunhas que sequer tinham recebido intimação para depor?

Não percebeu as Prisões preventivas decretadas à revelia dos pressupostos do artigo 312 do CPP e da subsidiariedade da medida?

E o uso de prova ilícita, heim? O Senhor não viu que é abundante nos autos do mesmo processo em que o quarteto fantástico sedizente representante da sociedade brasileira peticionou?

Diga-nos, com sinceridade: as infindáveis ofensas à imparcialidade do juiz e ao devido processo legal, praticadas nos mesmos autos, o Senhor não viu mesmo?

Não percebeu quantas vezes Moro extrapolou sua competência na Lava Jato, invadindo a competência de Tribunais Superiores e ferindo de morte o Princípio do Juiz Natural?

Onde o Senhor estava quando as regras de conexão previstas no artigo 76 do Código de Processo Penal foram violadas por Sérgio Moro?

Quando o juiz de primeiro grau determinou que fossem grampeados telefones dos advogados de defesa de Lula, ferindo de morte as prerrogativas profissionais dos advogados da defesa, Vossa Excelência não se atentou para as violações dos artigos 5º, XII e 133 da Constituição Federal e 7º do Estatuto da OAB?

Vossa Excelência não prestou atenção na participação ativa do juiz Sérgio Moro nos acordos de delação premiada, fazendo as vezes de parte acusatória, em violação escancarada a ao Princípio da Imparcialidade do Juiz e ao artigo 4º, par. 6º da Lei 12.850/2013?

No julgamento da última quarta-feira (24), seus pares disseram por várias vezes que “a Lei é para todos”. Isso não o fez lembrar da permissão ilegal de vazamento de imagens de Lula para produção cinematográfica com título de mesmo nome, patrocinada sabe-se lá Deus por quem?

A flagrante partidarização e espetacularização do processo da Lava Jato. Vossa Excelência não percebeu? Fotos do juiz com o tucano Aécio Neves, também Não?

Não é incrível que, no julgamento da última quarta-feira em Porto Alegre, seu voto tenha mantido uma sentença de convencimento formado a partir de tantos vícios e ilegalidades processuais?

E o que dizer do aumento da pena para Luís Inácio Lula da Silva, proposto em seu voto e acatado pelos outros dois julgadores que, como Vossa Excelência, julgavam de cabeça baixa?

Depois disso, como pode o Senhor demonstrar qualquer surpresa diante da petição dos meninos, atravessada no processo como se fosse uma postagem de facebook? Acaso não consegue perceber que foi o Senhor quem os autorizou a isso quando renegou todas as regras processuais naquela quarta-feira, em Porto Alegre, juntamente com seus cabisbaixos pares?

Não se surpreenda, Senhor Desembargador!

Tampouco chame a atitude dos quatro garotos de inusitada!

Inusitada foi a decisão tomada pela sua Turma na última quarta-feira. Tudo o mais agora está autorizado em direito. Ou melhor, na ausência dele.

Mantenha aquelas três petições nos autos, é o meu pedido. Elas estão em perfeita sintonia com todo o andamento processual até aqui. Não as desentranhe! Elas são a cereja do seu bolo, Senhor Gebran! São seu espelho; olhem para elas diariamente, o Senhor e sua Turma. Deixe-as ali para lembra-los de que há um cadáver no armário. E esse cadáver é o Estado de Direito.

E não se mostre surpreso. Sua surpresa é que nos surpreende, e não aquelas três petições.

Tânia Mandarino, advogada.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Eugênio Aragão - Juízes justiceiros e falso garantismo jurisprudencial: duas faces da moeda do golpe

Juízes justiceiros e falso garantismo jurisprudencial: duas faces da moeda do golpe
Eugênio José Guilherme de Aragão


Num país polarizado como o nosso, juízes, em boa parte, ou se tornaram moralistas irascíveis na persecução penal, não fazendo concessões a garantias processuais, ou passaram a reagir frouxos feito bola de gude em boca de banguela, abandonando quaisquer critérios, para decidir ao sabor da ocasião e da cara do freguês.

Difícil é, em nossos dias, encontrar o magistrado equilibrado, que respeita a soberania popular no critério da lei, ora para endurecer, ora para preservar algum pragmatismo para garantir julgamento justo de cada um segundo suas especificidades pessoais.

Com o golpe parlamentar, perdemos o sentido da segurança jurídica. Os julgados se converteram em gritos de guerra, espaços em que a visão individual do julgador atropela o interesse público: juízes ou são do tipo ferrabrás que decretam o estado bélico contra tudo que lhes pareça leniente, ou são  oportunistas que mobilizam sua artilharia contra as normas postas para beneficiar este ou aquele réu. Não há meio termo, não há o uso da razão na aplicação da lei. Usa-se com mais frequência o fígado, a bronca contra os que pensam diferente de si.

De um lado, temos, hoje, os Moros e os Glaucenires da vida, heróis em causa própria; do outro, Gilmar Mendes e sua jurisprudência de ocasião. Cada um tem sua claquete. A de Moro e de Glaucenir se confunde com a de Bolsonaro e a de Gilmar está mais para uma metamorfose ambulante: quando mira os petistas com uma bronca de fazer Moro corar, a direita vibra; quando se fantasia de garantista, a esquerda intelectual o vê como tábua de salvação no mar de fascismo revolto.

Previsíveis são apenas juízes do tipo Moro ou Glaucenir. Não que com isso façam genuflexão para a segurança jurídica. A insegurança de todas e todos é sua marca principal: ninguém escapa de suas gadanhas. O primeiro a ser agredido é o Estado de Direito e suas garantias constitucionais. Na guerra contra a “corrupção”, não valem nada.

A perspectiva de ser qualquer um colhido pelo arbítrio, como por um raio em céu de brigadeiro, é o que torna esses juízes todo poderosos.

Com Gilmar, depende. Trabalha sempre como bom jogador de buraco. Não desdenha as cartas do lixo, pensando na canastra futura. Para fazer ativo jurisprudencial a ser usado em caso de algum amigo precisar, mostra-se benevolente com os inimigos. Isso explica porque é capaz de soltar José Dirceu, como solta Aécio Neves. Como bom constitucionalista que é, sabe que benefícios extraordinários só conseguem se legitimar na aparência de alguma isonomia. Não que a queira, mas porque dela precisa para arrancar seus corrompidos das gadanhas dos Moros e dos Glaucenires da vida.

Liberar José Dirceu, para ele, não passa de indesejável, porém inevitável dano colateral. Se pudesse garantir a Aécio o Nirvana e mandar José Dirceu para o inferno, estaria no mundo que pediu a Deus. É bom lembrar que o golpe, de que Gilmar foi um dos articuladores, se alimentou dessa bipolaridade social, só por vezes escamoteada na intenção de aprofundar, jamais de afrouxar o golpe.

Acreditar em Gilmar é tão temerário quanto acreditar nos juízes justiceiros. São as duas faces da mesma moeda, a que comprou a degeneração de nossas instituições e permitiu que o arrastão de trombadinhas se alojasse no Planalto. Se hoje esse articulador do golpe está de bem com as garantias constitucionais, é pela necessidade de acercar os seus do poder e, logicamente, afastar dele os que foram expulsos pelo uso fraudulento do impeachment.

Não que as contradições do golpe não mereçam ser exploradas, mas a guerra aberta por Moros e Glaucenires contra Gilmar não merece nosso aplauso, do mesmo jeito que o revide de Gilmar no CNJ contra os justiceiros não é uma briga das forças democráticas. A estas, compete assistir ao embate, sem nele se tornarem atores. Os que são brancos, que se devorem. Não há, aqui, uma luta do bem contra o mal ou vice-versa. Há duas expressões do corrompimento institucional a se degladiarem. Só isso.

Sobra para a sociedade, nessa decadência de um judiciário que quer desapropriar a política dos políticos, a certeza da necessidade de ampla revisão do quadro constitucional que restabeleça a soberania popular e imponha a responsabilização tanto dos que se portam com excesso de poder e falta de decoro na função judicante, quanto os que desta se aproveitam para desequilibrar o jogo democrático a favor deste ou contra aquele ator político de sua predileção ou de sua bronca.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Ivan Gonzalez, historiador venezuelano radicado no Brasil, analisa as eleições na Venezuela


Ivan Gonzalez, venezuelano, professor de Historia e ativista sindical residente no Brasil, conversa com O Charuto e analisa o resultado das eleições do último domingo (15) na Venezuela:

O resultado é muito importante! A participação massiva expressa o interesse do povo em continuar na linha da democracia, da participação para decidir os assuntos do país. 61% de concorrência à eleição de governador é um êxito total, retumbante, no sentido de que nunca há muito interesse nesse tipo de eleições, isso explica também a decisão da maioria do povo, inclusive da oposição, de resolver o problema pela via eleitoral.
Ter ganhado em 18 estados é muito importante, mesmo perdendo dois – a oposição já tinha o controle de três, ganhou mais duas, mas, em sentido amplo foi muito importante, veja-se, por exemplo, o estado de Miranda, que foi recuperado da oposição e era o principal foco da desestabilização.
Perdemos os estados Táchira e Zulia, que são estados fronteiriços, com força econômica muito importante e a conexão desses estados com a Colômbia é muito importante no sentido de ser estar no caminho da presença do paramilitarismo colombiano, que já está presente na Venezuela, Zulia e Táchira, então, podem ser de novo espaços para rearticular essa posição violenta, mas deve ser analisado juntamente com o quadro geral.
Com relação ao resultado, a massiva votação e os estados em que o Chavismo ganhou, demonstram o forte apoio do povo, o apoio a revolução, mesmo com todos os problemas, com toda a situação econômica dificílima, ainda assim o apoio popular é forte.
O governo ganha, também, fôlego depois da Assembleia Nacional Constituinte, uma maior estabilização do quadro político interno, mas sabemos que a oposição, já, antes do resultado, tinha acusado fraude. Essa matriz internacional vai ser de novo utilizada, só que a própria oposição participou do processo prévio de preparação das eleições, de certificação do processo, auditorias internas antes e durante o processo eleitoral e, portanto, fica muito difícil agora querer falar em fraude quando, até domingo, tudo estava sendo feito da maneira correta.
O resultado é importante, temos que comemorar, mas esperar, também, o efeito disso, no sentido da reação da oposição, sobretudo da agressão imperialista fora da Venezuela.

ZULIA E TÁCHIRA NAS MÃOS DA OPOSIÇÃO - O PROBLEMA DA FRONTEIRA

O problema da fronteira não são as guerrilhas, não são as FARCs e nem a ELN.
O problema é o paramilitarismo, que são bandas armadas que agem na Colômbia e também na Venezuela apoiando as ações da direita. O problema é que tem muita arma e muita experiência de luta violenta na Colômbia e isto esta se refletindo na Venezuela.
E esses bandos paramilitares agem com o apoio do exercito colombiano ou do governo colombiano, que nos últimos meses tem sido muito hostil contra a Venezuela. O presidente Santos é a principal voz da oposição em nível internacional, então o problema está no fato de como o território colombiano pode ser usado para desestabilizar a Venezuela.
Na Colômbia tem sete bases (SETE BASES!) militares dos Estados Unidos, então a influencia que podem ter esses dois estados em abrir o que chamamos de cabeça de praia para ações de desestabilização militar, por conta da presença, não só dos grupos paramilitares colombianos, como a própria presença das tropas norte-americanas na Colômbia.
Esse e o grande assunto: como Táchira e Zulia podem se converter, a partir desses estados, como um foco de desestabilização da Venezuela. A questão é, não só um problema geoestratégico, no sentido da localização geográfica desses dois estados, mas também econômica, porque pela fronteira colombiana se produz um intercambio comercial historicamente muito forte e, também, porque Zulia é o principal estado petroleiro da Venezuela. Tem um componente de geopolítica muito forte e isso pode pesar a partir de agora se a oposição decide agir de maneira violenta, pois poderia passar a contar com esses estados.
Isso não está confirmado, uma vez que, quem ganhou no estado Zulia é da Primeira Justiça e desconheço a referencia e uma mulher ganhou em Táchira, da Acción Democrática (AD), isso pode depender muito de como esses dois partidos se pronunciem a partir de agora no quadro geral político, então é um risco que temos que levar em conta.

Ivan Gonzalez - venezuelano, professor de Historia e ativista sindical residente no Brasil