segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Filha de Sem Terra despejado em Itaperuçu mostra a situação desesperadora

A estudante de Serviço Social, Keyla Rodrigues de Camargo, comovida com o drama das 190 famílias de Sem Terra que foram despejadas na última semana de um assentamento em Itaperuçu, volta ao local do despejo três dias depois e constata uma situação de abandono de animais, destruição do plantio e criadouros de mosquitos que certamente transmitirão dengue e zica vírus aos moradores da região, próxima a Curitiba.

Além do mais, Keyla constatou que a situação de cerca de 50 famílias que foram abrigadas pela prefeitura de Itaperuçu é totalmente precária no que diz com acomodações e condições de higiene. Sem falar que as famílias estão sendo alimentadas por uma ONG, pois a prefeitura não disponibilizou alimentos e os alimentos nem darão para todos, pois já estão acabando.

A pergunta que se faz é: para onde irão essas famílias nesta segunda-feira (22) dia em que termina o prazo de cinco dias, previsto para que ficassem abrigadas no ginásio de esportes de Itaperuçu?

Confira as informações trazidas pela Keyla Rodrigues de Camargo para O Charuto blog:





quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Justiça despeja 90 famílias de sem terra na região de Itaperuçu

A polícia militar do Paraná cumpriu hoje (18) ordem concedida pela justiça de Rio Branco do Sul, despejando 90 famílias de Sem Terra que estavam assentadas na região de Itaperuçu, há cerca de um ano e meio, ocasião em que os assentados tomaram a terra, para impedir a entrada de um lixão que o prefeito de Itaperuçu tinha concedido a um empresário paulista.


As famílias desalojadas informam que a polícia chegou ao local às 5h30 da manhã, momento a partir do qual a ordem era de que ninguém mais entrasse ou saísse do assentamento.

Após as 6h30, foram acionados os moradores, que deveriam apanhar seus pertences e deixar os barracos até as 10h30, quando seriam demolidos, o que, de fato, se deu.

As famílias dão conta de que não houve uso de violência policial, pois não ofereceram resistência.

Sai de lá antes das 10h30, pois não queria ver o meu barraco demolido”, conta ao Charuto um dos assentados que foram despejados.

A informação que chega ao Charuto é de que a área ocupada correspondia a 306 alqueires de área de plantio, de propriedade da família Parolin, que estava há mais de 10 anos improdutiva.

Ainda segundo informações de pessoas que foram despejadas hoje, o proprietário das terras, quando esteve presente em uma das reuniões com o MST, declarou que se tivesse que realizar investimentos para plantar ali, preferia deixar a terra para os assentados produzirem, mas, diante disso, a prefeitura de Itaperuçu entrou na disputa pelo local, a fim de transformá-lo em uma área industrial.

Tanto que, segundo informações passadas ao Charuto por integrantes do MST, que foram despejados hoje, o despejo foi requerido pela prefeitura de Itaperuçu.

A preocupação dos moradores da região é de que agora o lixão vai funcionar e, também, informam que já foram tampadas duas fontes de manancial, o que, explicam, consiste em cavar um buraco na direção da fonte de água e tampar com um concreto especial, de modo que a água acabe escoando em outro lugar e, até, secando.

Os assentados despejados hoje estavam produzindo no local, onde há plantações de milho, mandioca, batata e feijão do tarde (safrinha).

Segundo informado ao Charuto, não se presenciou destruição das plantações, imaginando-se que estão preservadas.

Os moradores afirmam que há interesse da prefeitura em beneficiar serrarias e madeireiras, que já se avizinham há algum tempo do local.

Informam, ainda, os despejados, que quando foram assentados há um ano e meio, a prefeitura de Itaperuçu prometeu dar toda a assistência às famílias, mas nunca o fez, sendo que viviam carentes de atendimento de saúde, educação e tudo o que diz com infraestrutura básica que pudesse conferir dignidade às 90 famílias que hoje foram despejadas com seus idosos, crianças e deficientes.

A assessoria de imprensa do Sr. Neneu Artigas,  prefeito de Itaperuçu, informou ao Charuto que a prefeitura não disputa as terras.

“Não é disputa; é em comum acordo com o ‘seu’ Parolim”, disse por telefone o assessor de imprensa, na data de hoje.

A prefeitura diz que consta do plano diretor de Itaperuçu a previsão de retirar as empresas e serrarias da área central e levar para a área do assentamento.
Mas, insiste o assessor: “o prefeito não é polo ativo na ação de despejo; é o Goulin, que é o dono da terra!”

Segundo a prefeitura, as famílias despejadas estão se ajeitando lá no ginásio de esportes do município, onde serão abrigadas por cinco dias, como determina a Lei. Após esse prazo, ainda não se sabe o que será feito, pois ainda não se discutiu sobre isso.

Para tentar se justificar pelo despejo, a prefeitura passa a informação de que “parece que no início foi o MST que estava ali, mas depois, ‘eles’ dizem que a terra foi vendida para moradores pelo MST; por isso essas famílias estão no prejuízo”.

O que ele tá falando não é verdade, porque cada um de, nós levou um material, não foi vendido terreno e, inclusive, também, prova de que o MST não vendeu é que, se eles vendessem, não estariam lutando com nós do começo ao fim passando noites acordado, isso nada, isso nada é verdade o que assessor da prefeitura tá anunciando”, conta ao Charuto um dos assentados que foram despejados hoje.