sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Eugênio Aragão: por que foi importante derrotar a Lava Jato no concurso do Prêmio Allard



Por que foi importante derrotar a Lava Jato no concurso do Prêmio Allard

(Eugênio José Guilherme de Aragão)

Não nos iludamos. O Prêmio Allard da Universidade de British Columbia, no Canadá, é um instrumento ideológico da economia global, que busca colocar países emergentes sob o denominador das economias centrais.

O tal “Combate à Corrupção” é mais um cavalo de batalha do imperialismo mercantil. Podem as economias centrais ver, no caso delas, a corrupção como comportamento desviante que enfraquece o standing das grandes corporações do capital em suas complexas sociedades. Mas o que elas insistem em ignorar é que a corrupção, entre nós, é consequência de uma sociedade profundamente desigual e que seu enfrentamento longe do esforço de inclusão social e do reforço às regras do devido processo legal e do julgamento justo só aprofunda a desigualdade e acirra o autoritarismo, destruindo empregos e a democracia.

Ainda assim é importante jogar com as contradições do discurso ideológico. Ao mostrar que a Operação Lava Jato representa a destruição de direitos civilizatórios, como a presunção de inocência, o respeito à verdade provada e a imparcialidade do julgador, tão proclamados como contribuição dos países centrais ao mundo, o recuo na jogação de confete a Deltan Dallagnol et caterva era inevitável. Tentaram salvar a face compartindo o prêmio entre os finalistas, mas a ganhadora foi uma jornalista do Azerbaijão.

Nos bastidores já se dava a vitória da Lava Jato como certa. Havia um jogo duplo até por parceiros progressistas, com medo de perda de reputação e espaço, mas a atuação incisiva de poucos estudantes e juristas fez a diferença e mostrou como o destemor de enfrentar os inimigos do progresso, da soberania nacional e da democracia vale a pena.

Esclarecer os desvios do moralismo tupiniquim é fundamental para mostrar ao mundo que o chamado “Combate à corrupção” não pode ser uma guerra sem regras de engajamento e sem respeito às leis. Vamos colocando os pingos nos ii.

6 comentários:

  1. Bem posto e, Benfeito p/ o cinismo imperante por aqui!

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  2. Excelente análise do sempre lúcido e brilhante Eugênio Aragão.

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  3. Ainda acho q se a Dilma tivesse escolhido o Aragão, desde o primeiro mandato, esse golpe não teria tido todo o "sucesso" alcançado.

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    1. Sem dúvida! Não sei se ele foi candidato, mas, assim como você, também entendo este mais um dos erros do PT no exercício do poder!

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  4. Fantástica e alvissareira notícia, muito bem analisada pelo brilhante Eugênio Aragão! Parabéns!

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  5. Agora e na Rússia eles sabem o que é a Polícia Federal descontrolada do Brasil e como as repressões contra turistas são usadas para fins políticos. Em 2016-2017, ocorreram enormes invasões arbitrárias e ilegais de turistas russos na Amazônia. A polícia federal procurou os russos em Manaus - prendeu-os em aeroportos e hotéis e os jogou nas prisões. Na bagagem dos russos, não havia itens ilegais, seus documentos estavam em ordem, eles não estavam procurando uma interpol, ninguém estava informando para eles. O principal motivo para a repressão é o passaporte russo. Na Rússia, isso é chamado de terrorismo de estado.
    https://www.youtube.com/watch?v=q4JV-EGEbMQ
    https://www.youtube.com/watch?v=G8IJ8ZBwMW0&
    https://obzor.press/russian/2017062150095
    http://www.kremlinrus.ru/news/164/70207/
    https://www.facebook.com/CPLCRB/

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