terça-feira, 21 de agosto de 2018

Chamado à ordem: respeitem Alcione!


É preciso sempre nos perguntar o modo pelo qual as coisas foram produzidas, ensinou, um dia, o velho Carlos Marques. Por isso, convido linchadoras e linchadores em geral: vamos falar sobre Alcione?

O seminário “Elas por Elas” é promovido pelo CNJ e conta com autoridades femininas, da iniciativa privada e pública nos debates.

Na data de ontem (20) reuniu no STF representantes de vários segmentos da sociedade e as lideranças dos principais órgãos de Justiça, hoje presididos por mulheres. Ok, mulheres que, desgraçadamente não nos representam e a hipócrita presidente do STF, ontem, defendeu a união de homens e mulheres para a construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

Certo, a gente sabe que da parte dela é tudo blá, blá, bla.

Fez parte do blá, blá, blá de Carmem Lúcia dizer que vários órgãos federais têm mulheres na direção além do STF, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Que merda, igual a Carmem Lúcia, nenhuma delas, também, nos representa.

Laurita Vaz, Raquel Dodge, Cristina Machado, Grace Mendonça e Rosa Weber são mulheres a serviço do patriarcado e da manutenção dos privilégios da elite e falam bonito repudiando a violência contra a mulher e enaltecendo a necessidade de "libertação de mulheres, que continuam não tendo direito de pensar, de falar e de ter acesso a uma boa educação”, mas são falas vazias, porque, enquanto falam, assim, em rosa antigo, ou até mesmo em lilás, seguem servindo ao patriarcado e seus discursos servem mesmo é para justificar outras graves violações ao Direito e à Justiça, tornando-as palatáveis.

Além das mulheres ligadas ao judiciário, o seminário “Elas por Elas” também teve um segundo painel com o tema “A mulher e o poder na sociedade”, que contou com as presenças de Luiza Helena Trajano, Maria Silvia Bastos Marques, Lucia Braga, Ana Maria Machado, Betânia Tanure e Alcione.

Não vi ninguém esquartejando a Luiza, mulher branca e empresária, mas o que estão fazendo com a Marron é inaceitável!

Alcione participou ativamente da campanha que levou Dilma à presidência em 2010 e cantou em evento chamado "A Primavera dos Direitos de Todos".

Não é demais lembrar que a Rainha do Samba nasceu Alcione Dias Nazareth, em 1947, no Maranhão, filha de pai policial que tocava na banda militar e era professor de música.

Alcione nasceu negra.

Há pouco mais de um mês, em 03/07, Alcione passou por um cateterismo, após ter sido internada às pressas no Sírio Libanês com dores no peito e perdeu 25 quilos, por conta do problema de saúde. 

Em 2012, Alcione cantara o hino nacional, ao lado de Sérgio Cabral e Eduardo Paes, em ato dos royalties no Rio, onde outros artistas também se apresentaram pedindo o “veta Dilma!” 

Já foi condenada a indenizar o filho de cartola, por danos morais, por tê-lo chamado de "mau-caráter" em entrevista a uma rádio carioca, durante comemoração do centenário de Cartola. 

Este ano, gravou o jingle para a campanha de Roseana, no Maranhão. Sim, Roseana Sarney. Em 30 de julho já tinha decepcionado fãs, ao postar foto com Roseana nas redes sociais.

E não pensem vocês que eu sou fã de Alcione, porque, devo confessar, nunca fui uma fã da cantora e seria demais me declarar assim agora. Mas eu nunca me esqueço o que ouvia de minha ex-sogra, pessoa pobre que sempre se julgou membro da nobreza inglesa, quando Alcione aparecia na televisão, há mais de 30 anos atrás: “acho um horror! Parece uma lavadeira que deixou a trouxa de roupa ali do lado e pegou o microfone!”

Só por ser alvo desse desprezo por quem se julga parte daZelites, Alcione já merece o meu respeito.

Eu não preciso que Alcione seja uma pessoa de esquerda, ou uma militante como eu, para entender de onde ela vem e o papel que representa como grande intérprete do samba e fundadora da Mangueira.

Além disso, eu conheço alguns artistas e conheço artistas negros. Nem todos têm a vida ganha e, sobretudo as artistas, mulheres, negras, têm, via de regra, uma dificuldade imensa pra se manterem nesse maldito mundo capitalista. Não sei se é o caso de Alcione, mas imagino que, como artista, ela precise trabalhar e, como artista, mulher, negra, precise, ainda, apesar dos 71 anos que tem.

Então, pouco me importa se ela gravou o jingle de Roseana Sarney, ou se sentiu alegre e festiva ao lado de Carmem Lúcia et al ontem, no STF. E, voltando ao “Elas por Elas”, o que a gente não pode esquecer, é que, no entanto, entretanto e, portanto, o encontro teve o propósito de debater o papel da mulher no Estado e na sociedade. Essa pauta deveria ou não ser nossa?

Não vou linchar Alcione! Ela não tinha obrigação nenhuma de fazer diferente. Além do mais, sou advogada, e não juíza... Via de regra eu defendo as pessoas, e não as julgo.

Basta saber que Alcione é cantora mulher e negra, que, aos 71 anos de idade, tem todo o direito de não ser patrulhada dessa forma ridícula, ou execrada nas redes sociais por tão pouco! Guardem suas armas para os fascistas de verdade! Alcione é do samba e outro dia respondeu muito bem ao Cesar Menotti, quando ele disse que "samba é coisa de bandido"

Eu? Eu fico com a resposta da Alcione:

Eu, Alcione, cantora popular, aprendi a gostar do Samba e a respeitá-lo desde cedo, embora eu seja da terra do bumba-meu-boi, mas eu tenho noção da importância do Samba para esse país.  O Samba construiu minha carreira artística, construiu minha vida, me ajudou a ajudar outras pessoas. É do Samba, a maior linhagem que me orgulho de ter conhecido... Cartola, Nelson Cavaquinho, Seu Aniceto, Nei Lopes, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Martinho da Vila, Jorge Aragão e não acaba por aqui, a lista é muito grande. O Samba é grande. O Samba representa essa nação. O Samba é capaz de fazer a maior festa do mundo que é o CarnavalRespeite o sambista, respeite o Samba, respeite as Escolas de Samba e uma coisa é certa... o Samba é do mundo inteiro, portanto, ME RESPEITE! (Alcione).


Ah, a propósito, a Luiza, mulher branca e bem sucedida não cantou, mas estava lá também.

Viva Luíza! Viva Alcione!

Voltemos nossos canhões para as fascistas certas!

(Tânia Mandarino)

sexta-feira, 4 de maio de 2018

URGENTE! Prefeitura de Curitiba denuncia na justiça descumprimento de acordo no interdito proibitório da Praça Olga Benário

Foto da noite do dia 07-04 na região da superintendência 
da PF em Curitiba. Enviada por manifestante.

Prefeitura denuncia descumprimento do acordo e pede imediata cobrança de multa e medidas repressivas!


Em petição protocolada hoje, às 17h44, nos autos da ação de interdito proibitório, movida pelo Município de Curitiba contra as entidades que organizam as atividades na Praça Olga Benário, a Procuradoria Geral do Munícipio de Curitiba informou ao juízo da 3ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba que o acordo realizado no processo esta sendo descumprido.

Para entender o caso, é preciso relembrar que o Prefeito Rafael Greca, na noite em que Lula chegava a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, conseguiu, em cerca de duas horas, uma liminar de interdito proibitório com expedição de mandado e designação de oficial de justiça para cumprimento imediato, proibindo o transito dos réus nas proximidades da Superintendência da Polícia Federal e a montagem de “estruturas e acampamentos nas ruas e praças da cidade, sem prévia autorização municipal e nos termos da legislação vigente”.

Na mesma decisão liminar, deferida no plantão, ficou “autorizado o cumprimento do mandado por mais de um Oficial de Justiça, bem como o auxílio de força policial”, determinando-se que se certificassem “o Comando da Polícia Militar e a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Paraná”.

É bom lembrar, também, que no momento em que o oficial de justiça estava no local, naquela noite, para cumprir intimações contra “Movimentos e Indivíduos Indeterminados”, apoiadores de Lula, que recém haviam celebrado um culto ecumênico, sofreram ataques com gás lacrimogênio e balas de borracha, o que deixou muitas pessoas feridas e será objeto de inquérito junto ao 4º Distrito Policial de Curitiba.

Naquela noite, o CAAD (Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia), que estava de plantão em estrutura montada com apoio de advogadas e advogados militantes e voluntários de todo o país, pediu ajuda da OAB/PR e foi lavrado um Boletim de Ocorrência coletivo, junto aquele distrito policial.

Além disso, na manhã do domingo (8-4) 15 advogados do CAAD impetraram um Habeas Corpus coletivo, para atacar a decisão liminar como deferida, uma vez que causou violência policial sobre pessoas que se reuniam pacificamente.

O Habeas Corpus sob nº 0012590-61.2018.8.16.0000, tramita perante a 17ª Câmara Cível do TJPR, sob a relatoria do desembargador Fernando Paulino da Silva Wolff Filho e o Município de Curitiba foi intimado hoje (4-5) para prestar informações, no prazo de 10 dias, na condição de autoridade coatora.

Enquanto isso, o Interdito Proibitório ajuizado pela Prefeitura de Curitiba, fora distribuído para a 3ª Vara da Fazenda Pública, aonde o juiz substituto Jailton Juan Carlos Tontini, fixou multa de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais!)por dia e réu” que descumpra a liminar, “sem prejuízo de outras sanções cíveis e criminais cabíveis”.

O mesmo juiz já mandou incluir como réus, de acordo com a lista do oficial de justiça que foi ao local na noite dia dia 07-04:

a) A Central Única dos Trabalhadores – CUT.
b) O Partido dos Trabalhadores – PT/PR.
c) O Movimento Curitiba Contra Corrupção.
d) O Movimento Brasil Livre – MBL.
e)  O Movimento UFPR Livre.

Além disso, um casal de militantes que passava nas imediações da Superintendência da Polícia Federal, foi parado e identificado pela polícia militar. Mais a frente, o casal foi abordado por oficial de justiça, com uma intimação da decisão de interdito proibitório, e passou a constar na ação, também, como réus, pessoas físicas.

Nesse meio tempo, os Movimentos Sociais e o Partido dos Trabalhadores, em negociação com as autoridades, retiraram o acampamento que se formara no local, transferindo-o para um terreno privado, a cerca de dois quilômetros dali, mantendo somente uma vigília nas imediações da polícia federal, onde diariamente são realizadas atividades pacíficas de apoio a Lula, como o “Bom Dia” e o “Boa Noite Lula”, além de ricas conversas culturais e políticas.

Como parte do acordo, as autoridades respeitariam as atividades mantidas na região da sede da superintendência da PF.

Foi o próprio Procurador do Município de Curitiba quem juntou o Termo do Acordo no processo e a CUT/PR requereu a extinção da ação pela perda do objeto.

A promotora Aline Bilek Bahr deu parecer no sentido de que deveria ser verificado, no local, se o acordo estava sendo cumprido e, estranhamente, juntou um abaixo-assinado de alguns moradores da região se queixando da movimentação ali.

Num breve levantamento, é possível perceber que o abaixo-assinado não é representativo e que várias pessoas da mesma família assinam o documento, para tentar dar volume, ao que parece.

Na manhã desta sexta-feira (04-05), o delegado da PF Gastão Shaffer Neto, invadiu a atividade do “Bom Dia Lula” e quebrou equipamentos de som da Vigília na Praça Olga Benário, mas não foi levado pela PM para lavratura do flagrante e, sim, para as instalações da PF, onde ficou, protegido.

O argumento do delegado era “o barulho”.

Agora a tarde, às 17h44, como que para afiançar a postura do delegado, o Município de Curitiba informou o descumprimento do acordo por parte da Vigília.

O argumento da Prefeitura? Igualmente é “o barulho”.

Disse a Procuradoria:


Conforme termo de acordo juntado no mov. 49.2, no item 3 constou que: “acordam as partes que a utilização de equipamentos de som deverá ocorrer até as 19:30 horas, desde que obedecidos os limites estabelecidos pela Lei 10.625/2002 que dispõe sobre ruídos urbanos e proteção do bem estar e sossego público”. Após várias denuncias formuladas via Central 156 (documentos anexos), a Secretaria Municipal do Meio Ambiente realizou vistorias no local e concluiu que “Os imóveis encontram-se em ZR 4 onde a Lei Municipal 10625/2002 determina um Nível de Pressão Sonora para o período Diurno de 65db(A), Vespertino 60db(a) e Noturno de 55db(A), estando portanto acima dos níveis determinados na Legislação para os Pontos 1 a 6” (destacamos). Há registros, em determinados pontos, que os ruídos chegam a 88,4 e 88,8 db(A).

Além disso, denunciou, também, como quebra de acordo:


Ainda, no item 4 do acordo constou que “no local, permanecerão tão somente 4 tendas para assegurar a estrutura necessária à liberdade de manifestação, inclusive com vigília no interior das tendas, nos locais já definidos, ficando estabelecido e expressamente acordado que não haverá acampamento – com pernoite – nas imediações da Superintendência da Polícia Federal”. A Secretaria Municipal de Defesa Social, por seu turno, atesta que: “... o movimento conta, durante o período diurno, com seis barracas, sendo três tendas grandes e outras três pequenas, compostas à esquina das Ruas Guilherme Matter com a Dr. Barreto Coutinho, pertencentes ao Partido dos Trabalhadores”.


Ao final, o Município de Curitiba informou que “entende que o acordo não foi cumprido” e pediu a continuidade do feito com a “cobrança da multa na sua integralidade”.

Pediu, ainda, a adoção de todas as “medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária” (art. 139, IV do Código de Processo Civil).

Junto com a petição, o Município de Curitiba juntou dois relatórios, um da Secretaria Municipal doMeio Ambiente e outro da Secretaria Municipal de Segurança.

Não é de se estranhar, se breve sair nova decisão apressada, autorizando repressão à Vigília na Praça Olga Benário. Afinal, quem faz acordo com a burguesia golpista, já deve estar acostumado com o fato de que tais conciliações não rendem bons frutos para as Classes Trabalhadoras.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Força-tarefa da lava jato e AJUFE se unem para hostilizar Wadih Damous.



O Deputado Federal Wadih Damous foi proibido, pela juíza da 12ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelo cumprimento provisório da pena de Luiz Inácio Lula da Silva, de se manter como procurador de Lula nos autos da execução penal.
Isso porque a juíza, que seguiu o parecer do MPF, disse que a atividade legislativa não é compatível com o exercício da advocacia e mandou desentranhar dos autos a procuração juntada por Damous.

A OAB PR, através de seu procurador Andrei Salmazo Poubel, ingressou como assistente nos autos, pedindo a reconsideração da decisão, contrapondo-se à posição da juíza, apontando a inexistência de qualquer óbice ao exercício profissional pelo advogado requerente (Damous) e afirmando que cabe à OAB o controle da atividade profissional da advocacia (e não a juíza!).

Em transmissão ao vivo em sua página no faceboock, ao lado dos deputados Paulo Pimenta e Pepe Vargas, Damous denunciou a proibição da juíza de que Lula tenha acesso a médicos, como solicitado por sua defesa, e apontando seu “autoritarismo e despreparo jurídico” ao impedi-lo de exercer a profissão (acesse aqui o vídeo).

A Associação dos Juízes Federais imediatamente saiu em defesa da Juíza Carolina Lebbos, como se Damous a tivesse ofendido. 

Em nota pública, a AJUFE repudiou o que chamou de “os ataques proferidos pelo suplente de deputado federal, Wadih Damous, à juíza federal Carolina Moura Lebbos”, apelando para o fato dela ser mulher e julgando que Damous quis “impedir a atuação firme da Justiça Federal e do Ministério Público no enfrentamento da corrupção”.

O Ministério Público Federal saiu em auxílio à AJUFE, e, igualmente, divulgou nota pública condenando a manifestação de Damous e dizendo que “suas palavras mostram destempero e completa falta de compromisso com a verdade, preferindo denegrir pessoas e instituições”. O uso do verbo denegrir pela força-tarefa da lavo jato já dá uma ideia do nível de (falta de) politização da equipe acusatória.

Em vídeo, Damous comentou os aspectos legais que envolvem a proibição que lhe foi imposta pela juíza Carolina Lebbos. Confira:



Professor Dr. Luiz Moreira avalia nota de Dilma Rousseff sobre a delação de Palocci

Nas palavras do ex-conselheiro do Ministério Público:

A partir da nota de Dilma é de se considerar que a lei de delação (12.850, de 2013) não conta com sua simpatia.
Entretanto, referida lei foi por Dilma promulgada.
Sobre a lei da delação:
É possível identificar seus padrinhos no governo Dilma: Beto Vasconcelos e Zé Eduardo.
Minha pergunta é a seguinte:
O que levou um governo, composto por pessoas que sofreram torturas, a apostarem num punitivismo tal?
Será que supuseram que o aparelho da repressão tinha se tornado (como num passe de mágica) doce?
Minha hipótese é a seguinte:
Um certo sentimento de repulsa às injustiças leva parte da esquerda a considerar a cadeia como remédio.
Trata-se de resposta intuitiva, portanto.
Mas e quanto às áreas jurídicas do Governo e das bancadas?
Bem, quanto a essas não posso ser complacente: ou não compreenderam o alcance dessas medidas e são incompetentes ou estavam apostando que tais medidas lhes trariam dividendos quando deixassem essas posições.
Pois essas medidas legislativas (delações, orcrim etc.) criaram nichos de atuação muito bem remunerados...


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Patos pedem retorno do voto impresso em Curitiba

Pra vocês terem uma ideia do atraso, cerca de 15 pessoas protestam agora na frente do TRE em Curitiba pelo retorno do voto impresso.

Deve ser aquele mesmo pessoal que foi desalojado da frente da Justiça Federal, onde armaram a barraca e vendiam camisetas em homenagem a Sergio Moro. A tralha é a mesma: equipamento de som, bandeiras nacionais, camisinhas da CBF e um bando de pato amarelo.

Procurando bem, até cabos de panela vai dar pra encontrar por ali, enfiados em algum lugar...


O alerta dado pelos patos amarelos é de que o PT hackeia as urnas eletrônicos, e por isso é preciso voltar ao tempo dos votos de papel.


Incrível o medo do PT que tem essa gente, não?




Com informações e imagens de Gustavo Conti.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Sr. Desembargador, por que a surpresa?

Em decisão exarada na tarde dessa sexta-feira (26), o desembargador João Pedro Gebran Neto se mostrou surpreso com as três petições, que quatro inexperientes advogados atravessaram no processo do triplex, pedindo que Lula tivesse seu passaporte recolhido, sob risco de viajar para a Etiópia e não voltar. 


Os garotos, dando prova de seu mais absoluto desconhecimento em relação à legitimidade constitucional para realizar esse tipo de pedido, se auto intitulavam “representantes da sociedade brasileira” e fundamentavam seu pedido na ausência de tratado de extradição entre os dois países, afirmando que Lula pediria asilo político, demonstrando, também, o mais absoluto desconhecimento a respeito da coragem de Lula.

Noutro trecho diziam temer que a manutenção do discurso de golpe armado pelo judiciário com a ajuda de setores da mídia como a Rede Globo, bem como o se igualar a Nelson Mandela e Tiradentes, demonstravam a intenção de Lula e de seu partido de incitarem a população e seus militantes à luta armada, de serem vítimas e de procurarem com isso o apoio internacional esquerdista.

Dois dos peticionários são sócios num escritório de advocacia em Maringá e atendem a rede de supermercados Super Muffato e a Nowax Petróleo do Brasil Ltda. Os outros dois são de Curitiba e São Paulo.

Em sua decisão Gebran relata que os advogados Carlos Alexandre Klomfahs (OAB/SP 346.140), Rafael Costa Monteiro (OAB/PR 26.765), Diego Gonçalves Londero (OAB/PR) e Tuareg Nakamura Muniz (OAB/PR 61.856), não cadastrados no processo e sem representação de qualquer das partes, juntaram pedido para que o réu LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA seja impedido de ausentar-se do país e para que entregue o seu passaporte, argumentando que há risco de fuga e de aplicação da lei penal”.

Na parte dispositiva de sua decisão, o julgador concluiu que “a pretensão é despropositada, haja vista que os legitimados para requerer medidas da espécie estão expressamente indicados no art. 311 do Código de Processo Penal” e que, “nem mesmo sob a ótica do inusitado pedido para estabelecimento de ofício da restrição, ou mesmo da invocada representação em nome da sociedade brasileira”, não havia como dar trânsito ao pedido.

Não conhecendo dos pedidos, determinou o “imediato desentranhamento” das três petições dos autos do processo eletrônico.

Mas, vamos falar francamente, com o devido respeito, me dirijo diretamente a Vossa Excelência para anotar que há outras coisas bem mais estranhas que devem ser desentranhadas dos autos antes, Senhor Desembargador!

As petições dos quatro advogados aventureiros não nos causam espanto algum. O que nos espanta é a sua surpresa, isso sim nos deixa em estado de absoluta perplexidade!

Há tempos que a jurisprudência criada nos porões da 13ª vara federal criminal de Curitiba, e confirmada pelos senhores na última quarta-feira (24) em Porto Alegre, autoriza caveiras de burro processuais.

Vossa Excelência ainda não havia se dado conta disso?

Qual o impedimento para malucos não cadastrados no processo e sem representação de qualquer das partes atuarem num processo onde todo tipo de sujeira já foi, e continua sendo, praticada?

Qual a sua surpresa diante de um pedido de gente doida, que se pretende representante da sociedade brasileira, ser atravessado num processo todo enlameado e fedorento?

Acaso o Senhor não se deu conta de que, muito antes dos quatro meninos aloprados cometerem irregularidades processuais, um juiz de primeiro grau já mandara interceptar e vazar conversas telefônicas da Presidenta da República deste País? De que determinara conduções coercitivas a testemunhas que sequer tinham recebido intimação para depor?

Não percebeu as Prisões preventivas decretadas à revelia dos pressupostos do artigo 312 do CPP e da subsidiariedade da medida?

E o uso de prova ilícita, heim? O Senhor não viu que é abundante nos autos do mesmo processo em que o quarteto fantástico sedizente representante da sociedade brasileira peticionou?

Diga-nos, com sinceridade: as infindáveis ofensas à imparcialidade do juiz e ao devido processo legal, praticadas nos mesmos autos, o Senhor não viu mesmo?

Não percebeu quantas vezes Moro extrapolou sua competência na Lava Jato, invadindo a competência de Tribunais Superiores e ferindo de morte o Princípio do Juiz Natural?

Onde o Senhor estava quando as regras de conexão previstas no artigo 76 do Código de Processo Penal foram violadas por Sérgio Moro?

Quando o juiz de primeiro grau determinou que fossem grampeados telefones dos advogados de defesa de Lula, ferindo de morte as prerrogativas profissionais dos advogados da defesa, Vossa Excelência não se atentou para as violações dos artigos 5º, XII e 133 da Constituição Federal e 7º do Estatuto da OAB?

Vossa Excelência não prestou atenção na participação ativa do juiz Sérgio Moro nos acordos de delação premiada, fazendo as vezes de parte acusatória, em violação escancarada a ao Princípio da Imparcialidade do Juiz e ao artigo 4º, par. 6º da Lei 12.850/2013?

No julgamento da última quarta-feira (24), seus pares disseram por várias vezes que “a Lei é para todos”. Isso não o fez lembrar da permissão ilegal de vazamento de imagens de Lula para produção cinematográfica com título de mesmo nome, patrocinada sabe-se lá Deus por quem?

A flagrante partidarização e espetacularização do processo da Lava Jato. Vossa Excelência não percebeu? Fotos do juiz com o tucano Aécio Neves, também Não?

Não é incrível que, no julgamento da última quarta-feira em Porto Alegre, seu voto tenha mantido uma sentença de convencimento formado a partir de tantos vícios e ilegalidades processuais?

E o que dizer do aumento da pena para Luís Inácio Lula da Silva, proposto em seu voto e acatado pelos outros dois julgadores que, como Vossa Excelência, julgavam de cabeça baixa?

Depois disso, como pode o Senhor demonstrar qualquer surpresa diante da petição dos meninos, atravessada no processo como se fosse uma postagem de facebook? Acaso não consegue perceber que foi o Senhor quem os autorizou a isso quando renegou todas as regras processuais naquela quarta-feira, em Porto Alegre, juntamente com seus cabisbaixos pares?

Não se surpreenda, Senhor Desembargador!

Tampouco chame a atitude dos quatro garotos de inusitada!

Inusitada foi a decisão tomada pela sua Turma na última quarta-feira. Tudo o mais agora está autorizado em direito. Ou melhor, na ausência dele.

Mantenha aquelas três petições nos autos, é o meu pedido. Elas estão em perfeita sintonia com todo o andamento processual até aqui. Não as desentranhe! Elas são a cereja do seu bolo, Senhor Gebran! São seu espelho; olhem para elas diariamente, o Senhor e sua Turma. Deixe-as ali para lembra-los de que há um cadáver no armário. E esse cadáver é o Estado de Direito.

E não se mostre surpreso. Sua surpresa é que nos surpreende, e não aquelas três petições.

Tânia Mandarino, advogada.